domingo, 12 de setembro de 2010

A origem das guerras

Por Fidel Castro

No dia 14 de julho afirmei que nem os Estados Unidos nem o Irã cederiam: “um pelo orgulho dos poderosos e o outro pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como ocorreu tantas vezes na história...”. Em quase todas as guerras uma das partes deseja evitá-la, e às vezes, as duas. Nessa ocasião teria lugar, embora uma das partes não o desejasse, mesmo como aconteceu nas duas guerras mundiais de 1914 e 1939, com apenas 25 anos de distância entre a primeira e a segunda conflagração.

As chacinas foram horrendas, não se teriam desatado sem erros prévios de cálculo. As duas defendiam interesses imperialistas e achavam que atingiriam seus objetivos sem o custo terrível que implicaram. No caso que nos ocupa, uma das partes defende interesses nacionais, totalmente justos. A outra tem como objetivo propósitos bastardos e grosseiros interesses materiais.

Fazendo uma análise de todas as guerras que tiveram lugar, partindo da história conhecida de nossa espécie, uma delas procurou esses objetivos. São absolutamente vãs as ilusões de que, nessa ocasião, esses objetivos serão atingidos sem a mais terrível de todas as guerras.

Em um dos melhores artigos publicados no site Web Global Research, quinta-feira, 1º de julho, assinado por Rick Rozoff, ele utiliza abundantes e inapeláveis elementos de juízo acerca dos propósitos dos Estados Unidos, que toda pessoa bem informada deve conhecer.

“... Pode-se vencer se um adversário sabe que é vulnerável a um ataque instantâneo e indetectável, abrumador e devastador, sem a possibilidade de se defender ou de exercer retaliações”, é o que os Estados Unidos pensam, segundo o autor. (...) “... Um país que aspira a seguir sendo o único Estado na história que exerce a dominação militar de espectro completo na terra, no ar, nos mares e no espaço.” (...) Foi “ ...o primeiro país que desenvolveu e utilizou armas atômicas...” (...) “... os Estados Unidos conservam 1.550 ogivas nucleares desdobradas e mais 2.200 (outras estimativas falam em 3.500) armazenadas, e uma tríade de veículos de lançamento terrestres, aéreos e submarinos.”

Rozoff enumera as abundantes entrevistas coletivas, reuniões e declarações, nos últimos meses, dos chefes do Estado Major Conjunto e de oficiais executivos de alta patente do governo dos Estados Unidos.

Explica os compromissos com a OTAN, e a cooperação reforçada dos parceiros do Oriente Próximo, leia-se em primeiro lugar Israel. Ele diz que: “os Estados Unidos também intensificam os programas de guerra espacial e cibernética, com o objetivo de paralisar os sistemas de vigilância e comando militar, de controle, das comunicações, informáticos e de inteligência de outras nações, levando-as a ficar indefesas em todos os âmbitos.”

As notícias que chegam cada dia procedentes do Irã não se afastam um milímetro da posição assinalada por eles de manter seus justos direitos à paz e ao desenvolvimento, com um elemento novo: já conseguiram produzir 20 quilos de urânio enriquecido a 20%, suficientes para construir um engenho nuclear, o que enlouquece ainda mais aqueles que há um bom tempo adotaram a decisão de os atacar. Examinei isso na sexta-feira, dia 16, com os nossos embaixadores.

Nem Obama poderia alterá-la, nem mostrou em momento algum a decisão de o fazer.

Fidel Castro Ruz é ex-presidente de Cuba.

Nenhum comentário:

Postar um comentário