domingo, 21 de novembro de 2010

A ode ao preconceito social via RBS: o ódio contra mobilidade social



"Qualquer miserável tem um carro"   




Fosse piada e ninguém acharia graça da asneira dita por esse senhor, Luiz Carlos Prates,  comentarista da RBS, afiliada da Rede Globo.
Culpa as pessoas mais pobres, com acesso ao crédito, pelas mortes nas estradas...Só enxerga aqueles que tiveram acesso ao consumo de bens como culpados pelas tragédias nas estradas.

Deve imaginar que pobre é incapaz...Não sabe votar (no candidato dos ricos), vai saber dirigir um automóvel com responsabilidade(ou os rumos de sua própria vida).

Bufa o ódio nos costumes da nova classe "C", aquela que segundo ele, mora em gaiolas e tem vida familiar desestruturada...Claro, só os pobres são desestruturados.  Ricos tem tradição e costumes mais cristãos, famílias sólidas, talvez como a da jovem Richtofen, ou dos rapazes que estupraram uma menina de 13 anos em Florianópolis, gente ligada ao judiciário e a alta direção da RBS, e estão impunes encastelados na doce vida do grand monde...

Tais comentários representam o preconceito de quem não aceita a mobilidade social do Novo Brasil, de quem não entende a urgência da transformação social desse país, de quem defende a volta do status quo para poucos, mas pago por todos.
Do Brazil de alguns poucos interferindo no Brasil da maioria...Os comentários são inacreditavelmente absurdos e agressivos, de certo, contra a maioria esmagadora de sua própria audiência.

Leia o comentário:

"É só isso, só isso. As pessoas saem absolutamente desatinadas por uma pressa que não se justifica por nenhuma razão. Eu andei ontem na BR 101. Nunca a tinha visto com tanto movimento nem em dias de semana. Ontem (domingo 14) era metade de um feriadão. Quem tinha de ter saído tinha saído, e ainda era muito cedo para voltar para casa. Mas o que é isso? Antes de mais nada, a popularização do automóvel. Hoje, qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais leu um livro, mora apertado em uma gaiola que hoje chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro. E este camarada, casado, como não suporta a mulher nem a mulher suporta ele, sai, vão para a estrada. Vão se distrair, vão se divertir. E aí, inconscientemente, o cara quer compensar suas frustrações com excesso de velocidade. Tem cabimento o camarada não vencer a curva? Como se a curva fosse feita para vencer. Quando o camarada morre sozinho, problema dele. Mas e quando mata um inocente? Ontem, havia um acidente na estrada, no trecho norte da BR 101, eu vinha para Florianópolis, era do outro lado. Os caras paravam do lado em que eu vinha e atravessavam a pé para ver o que tinha acontecido. Com um movimento absolutamente incomum, se um desgraçado – e esta é a palavra – desgraçado é atropelada e feito um sanguinche na pista, o que é que vão dizer? "Este trânsito insano". Insano é o cara que para o carro, atravessa a BR para ver o que aconteceu com a outra pessoa. Então, é isso, estultícia, falta de respeito, frustração, casais que não se toleram, popularização do automóvel – resultado deste governo espúrio que popularizou, pelo crédito fácil, o carro para quem nunca tinha lido um livro. É isso."

Enfim, esta é uma faceta do pouco que pensa esta elite egoísta, acostumada a ter o Estado a seu serviço e tal como a twiteira de São Paulo que "culpou" os nordestinos pela vitória de Dilma (ou derrota de Serra) e incitou o ódio contra os brasileiros do nordeste e os qualificou como animais, ambos se encontram na mais rasa cova da falta de dignidade e respeito com aqueles que consideram insignificantes personangens do"andar de baixo", subalternos incapazes...

Nenhum comentário:

Postar um comentário