quinta-feira, 19 de maio de 2011

Corrupção na imprensa: noticiário lobista na privatização das Teles, em causa própria

"A imprensa está muito favorável, com editoriais",
diz Mendonça de Barros.
"Está demais, né?", diz FHC em tom de brincadeira.
"Estão exagerando, até."


Diálogo telefônico
durante as negociatas prévias
à privatização das teles em 1998
entre FHC
e o então ministro das comunicações,
Mendonça de Barros (PSDB,
levado para governo por indicação de José Serra),
..

O diálogo completo acima pode ser lido aqui, nos arquivos de Carta
Capital.

Por quê a imprensa estava até "exagerando" nos editoriais e na
cobertura do noticiário na privataria das teles, em 1998?

Os "impolutos" lobistas da família Mesquita, do Estadão, saíram do
processo sócios da empresa de telefonia celular BCP (atualmente
comprada pela Claro), na região Metropolina de São Paulo, com o Grupo
OESP (Estadão) participando com 6% do consórcio:

Banco Safra (44%)
Bell South - EUA (44%)
OESP (6%)
Splice (6%)

O lobby dos Mesquita junto com lobby da família Sirotsky (Grupo gaúcho
RBS) pela privataria, também resultou em 6% e 7% de participação de
cada grupo, no consórcio BSE (Estados do Nordeste à exceção da BA e
SE):

Banco Safra (40,5%);
OESP (6%);
Splice (6%);
RBS (7%)

Os "impolutos" lobistas da família Frias, mais cautelosos, saíram do
processo com opção compra de 5%, do consórcio Avantel Comunicações
(disputava telefonia celular no interior do estado de SP), que ficou
em 2º lugar no leilão, mas ganhou com a desclassificação do 1º
(Consócio Tess), mas o Avantel acabou desistindo em fins de 1998:

Air Touch - EUA (25%);
Stelar (25%);
Camargo Correa (25%);
Unibanco(25%);
Jornal Folha de São Paulo (opção de compra de 5%)

Opção de compra significa que se o Grupo Folha achasse o negócio bom
depois de algum tempo, poderia exercer o direito de ser sócio de 5%.
Se não achasse o negócio bom o suficiente, não compraria os 5%, não
correndo nenhum risco.

Os "impolutos" lobistas da família Marinho (Globopar), participaram do
consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados
de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo:

Globopar (40%);
ATT - EUA (37%);
Bradesco (20%);
Stet - Itália (3%)

O consórcio acima perdeu o leilão para o Grupo Telefonica da Espanha,
mas a família Marinho não ficou no sereno. Ganharam com o consórcio
Vicunha Telecomunicações, a telefonia celular na Bahia e Sergipe:

Stet - Itália (44%);
Grupo Vicunha (37%);
Globopar e Bradesco (20%)

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