quarta-feira, 29 de junho de 2011

Bolsonaro já era; agora é a vez de Myrian Rios


Discurso de Myrian Rios
Autor: 
http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/cia/2011/06/28/bolsonoro-ja-era-agora-e-a-vez-de-myrian-rios.html

O deputado Bolsonaro encontrou uma adversária de peso: Myrian Rios. Em comum, ambos são políticos com domicílio eleitoral no Rio de Janeiro. E são deputados _ela no Rio, ele no Congresso Federal. Também adoram uma câmera e sabem se mostrar muito bem a ela quando uma lhe mira. Bolsonaro é um falastrão e virou símbolo de uma minoria arcaica, caricata, que ainda defende militares no comando do país. É a voz dos mais arraigados membros da TFP _a organização Tradição, Família e Propriedade, que um dia foi realmente influente e hoje não passa de um emaranhado de vozes sem ouvidos. Já Myrian Rios é voz da Igreja Católica, mais precisamente da Renovação Carismática Católica, que hoje possui rede de televisão e rádio (a Canção Nova), com retransmissoras no Brasil e em algumas células pelo mundo. Antes de tudo foi atriz da Globo e namorou Roberto Carlos. Também posou nua e caiu no ostracismo.
O discurso de Myrian Rios na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro é tão burro que vale muito pouco. Ela diz que quer ter o direito de ser respeitada por sua orientação sexual “homem com mulher como está em Gênesis”. Fala que funcionários gays ou lésbicas poderiam bolinar seus filhos e que ela não poderia fazer nada. E ainda afirma que "caso a PEC passe, a pedofilia seria liberada, já que o pedófilo afirmaria que a pedofilia é sua orientação sexual”. É um discurso sem pé nem cabeça. Ela diz ainda que não é preonceituosa (imagine se fosse), e que possui parentes de sangue homossexuais e lésbicas, e que ainda ora por eles porque “a salvação é para todos”.
As frentes políticas cristãs usam muito esse expediente de ligar homossexualidade e pedofilia. É a forma encontrada para fazer o cidadão se apavorar. Mas deveria ser crime. Como o de ligar negros a roubo, por exemplo. O que me espanta mais é que a Igreja católica, da qual a deputada faz parte, sempre foi mais contida em seus ataques. Geralmente usa seu poder de influência nos governos de forma mais discreta, por meio de advogados, representações e artigos em grande jornais. Discursos inflados e que geram ódio aos homossexuais sempre estão garantidos às igrejas pequenas e de subúrbio.
A Renovação Carismática Católica se manifesta de maneira menos odiosa. Ainda que contrária às leis de casamento civil, como toda igreja, não faz discursos tão vorazes contra a homossexualidade.
Seus principais líderes são o padre Marcelo Rossi e o monsenhor Jonas Abib, que fundou a Canção Nova na década de 80. Foi nessa época que a Igreja Católica mais perdeu fieis para as igrejas neopentecostais, que aliavam fé a prosperidade ainda na Terra. A Renovação Carismática foi a resposta dos Católicos aos evangélicos e segurou a torneira da perda de fieis que vinha acontecendo. Os carismáticos copiaram tudo dos evangélicos, dos rituais aos discursos, e, como os evangélicos, passaram a “converter” famosos da classe B, ou ex-famosos, para dar visibilidade ao movimento. E também passaram a eleger políticos.
É aí que entra Myrian Rios. A ex-atriz permaneceu tempos no ostracismo até ser contratada em 2002 pela Fundação João Paulo II, mantenedora da TV e Rádio Canção Nova. Ali ela apresenta programas e já lançou livro que conta a história de sua conversão.
Para a cadeira de deputada no Rio de Janeiro, pelo PDT, ela contou com os votos dos fieis da sua comunidade. Ela obteve 22.169 votos e ficou 64ª posição. Sua platoforma era de defesa da família. A Alerj conta com 70 deputados, sendo 20 ligados a Igrejas evangélicas e católica. Mas não é, ainda, um grupo que vota completamente unido como é a Frente Evangélica de Brasília.
Contudo, a voracidade deles é grande, afinal é neste estado que se concentra a mais ampla política de inclusão da agenda gay no Governo estadual e municipal. Esse povo "cristão" todo, incluindo Myrian Rios, teve de engolir a primeira união gay coletiva do Brasil financiada pelo próprio governo na quarta-feira passada, em plena Central do Brasil, com direito a cobertura e beijo no Jornal Nacional (um dia depois do discurso de Myrian na Alerj). Eles todos também assistiram o lançamento do programa Rio sem Homofobia e sabem que seus desatinos não vão dar em nada. Precisam aceitar a atuante presença de Coordenações políticas de gays e lésbicas no Estado e na Prefeitura e foram bem informados que a máquina do Estado lutou pela aprovação da união gay no Supremo _uma jogada de mestre do governador do Rio, Sergio Cabral. O mesmo expediente (buscar o Supremo) pode agora ser usado para aprovar algo parecido com o PLC 122.
Quero dizer: não dêem tanta importância à Myrian Rios, seu discurso é um grão de areia perto do que o estado do Rio está fazendo pelos direitos gays. E esses discursos mais inocentes são como os da Luisa Marilac: tem graça, mas duram pouco.

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