quinta-feira, 16 de junho de 2011

Caso Battisti: a hipocrisia da oligarquia midiática brasileira

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por Paulo Jonas de Lima Piva

Os ideólogos midiáticos da direita brasileira, em suas páginas de jornais e revistas, nas mesas redondas de programas de TV e em editoriais de telejornais, tentam manipular a opinião pública com o capcioso argumento de que, durante a ditadura militar brasileira, foram cometidos excessos de ambos os lados da trincheira, logo, que teria havido um empate de abusos entre os extremos. Com isso, esses cães de guarda do conservadorismo tentam desmoralizar e desligitimar a luta das vítimas da ditadura militar brasileira para conseguirem na Justiça que torturadores e generais assassinos possam ir ao tribunais e serem condenados por seus crimes covardes.

Ora, se a extrema esquerda brasileira chegou a cometer algum "excesso", algum ato antiético durante os covardes e cruéis anos da ditadura militar, ela já pagou por todos esses alegados "excessos", seus militantes já foram severamente punidos pelos seus atos, inclusive com a pena de morte! Todos os que pegaram em armas nesse período pelo restabelecimento da democracia foram perseguidos, presos e torturados pelo regime militar, muitos tiveram de recorrer à dura vida clandestina e ao desespero do exílio, afastando-se assim de suas famílias, empregos e sonhos individuais. Outros, infelizmente, acabaram assassinados e enterrados em valas até hoje desconhecidas, como bichos ou lixo. Já os torturadores, assassinos e mandantes dos assassinatos desses defensores da liberdade e da democracia, não sofreram nenhuma punição pelos seus excessos. Em outras palavras, o tal empate não foi na prática um empate, mas a vitória de um lado, um "empate" que deixou impune o lado mais bárbaro, covarde e sórdido da disputa.

Os jornalões, revistas e telejornais brasileiros estão tentando jogar a opinião pública brasileira contra a decisão do governo Lula de não extraditar o militante de esquerda Cesare Battisti para a Itália comandada pelo magnata da mídia, o neofascista Sílvio Berlusconi. Alegam em suas reportagens que Battisti é um terrorista, logo, que ele deveria cumprir a punição que lhe foi imposta, à revelia, na Itália. Acontece que muitos desses órgãos da grande mídia brasileira não só apoiaram o golpe militar no Brasil, como financiaram o terrorismo de Estado contra aqueles que lutavam pelo restabelecimento da democracia no país. Se esses órgãos de imprensa e esses jornalistas brasileiros são tão defensores assim dos "direitos humanos" e da "justiça", por que eles não canalizam suas indignações contra o terrorismo usando suas páginas e seus telejornais para exigirem a punição dos torturadores, dos assassinos e dos generais que protagonizaram a barbárie dos anos de chumbo no Brasil? Dois pesos e duas medidas, hipocrisia pura...

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