domingo, 23 de outubro de 2011

Um mundo de ostentação e egoísmo: 39% da riqueza nas mãos de 0,4% da população


Somente essas pessoas possuem mais de US$ 400 bilhões!
A acumulação de riquezas nas mãos de cada vez menos pessoas tem se acentuado.  Estados Unidos e Europa, que passam por uma crise econômica persistente, em flagrante e revoltoso contraste, possuem dois terços dos milionários do planeta.

O mundo testemunha uma dramática piora dos indicadores sociais nos países ricos.  Os mais pobres perdem oportunidades e suas economias, mas alguns poucos continuam enriquecendo, aproveitando a "chance de lucrar", torcendo, inescrupulosamente, por recessão global e ganhando sobre o desespero da esmagadora maioria da população.

Movimentos como o Occupy Wall Street denunciam a jogatina do sistema financeiro, a ganância absurda dos bancos e sua ética da acumulação de riquezas desenfreada e egoísta, sem enfrentar a regulação por parte dos mecanismos de controle de capital dos estados, a despeito da crise porque passam milhões de pessoas que perdem suas casas, seus empregos e suas vidas.
No Rio de Janeiro um grupo de aproximadamente 150 pessoas, do Ocupa Rio,  tomou a praça da Cinelândia no Rio de Janeiro no sábado dia 15 de outubro e fazem nova ocupação neste sábado, dia 22, para conscientizar a sociedade contra esta desigualdade que maltrata a humanidade.
Pois bem, o total de riqueza acumulada pelas pessoas do ranking que ilustra esta postagem é quase do tamanho de toda a riqueza da Colômbia, um país com 46 milhões de habitantes!

Vivemos em um mundo desregulado, ainda norteado pela ostentação e egoísmo da riqueza absurda para pouquíssimos, em 2010 a FAO estimou em mais de 1 bilhão de pessoas passando fome e os países ricos e a ONU viram as costas para esta dura realidade.
Milionários controlam 39% da riqueza global
Fortuna dos milionários, que são menos de 1% da população, cresceu duas vezes a riqueza do mundo; em 2010, mais ricos detinham 35% do total.

Os milionários e bilionários passaram a controlar 38,5% da riqueza mundial, de acordo com o Relatório da Riqueza Global, publicado pelo banco Credit Suisse. A fortuna das 29,7 milhões de pessoas que têm mais de US$ 1 milhão (R$ 1,77 milhão) - menos de 1% da população mundial - alcançou US$ 89 trilhões (R$ 157,5 trilhões) ou US$ 20 trilhões a mais do que no ano passado. Em 2010, os milionários eram donos de 35,6% da riqueza mundial.

A fortuna dos milionários cresceu 29% - percentual duas vezes maior do que a riqueza do mundo como um todo, que agora soma US$ 231 trilhões (R$ 409 trilhões). Existem hoje 84.700 pessoas que têm mais de US$ 50 milhões, sendo que 35.400 moram nos EUA. Há 29 mil pessoas com mais de US$ 100 milhões e apenas 2.700 com mais de US$ 500 milhões.

A Europa ultrapassou a América do Norte e é lar de 37,2% dos milionários do mundo em comparação aos 37% do continente americano. O Japão concentra 3,1 milhão de milionários (11% do total), seguido por China e Austrália, cada um com 1 milhão. Em termos de países, Suíça, Austrália e Noruega são as três nações mais ricas do mundo; na Ásia, tem-se também Cingapura.

Nos próximos cinco anos, a riqueza mundial deverá aumentar em 50% a US$ 345 trilhões. Os mercados emergentes devem ter mais milionários nos próximos anos. A China já conta com um milhão de milionários. A riqueza na Índia e no Brasil devem mais do que dobrar.

A fórmula Veja de jornalismo

Por Henrique, o Outro
A “Fórmula Veja”19/10/2011 — Ivson  - Coleguinhas Uni-vos!
Sempre foi um mistério para mim como a Veja – e a maior parte da grande imprensa, para ser franco – conseguia impingir as histórias mais escalafobéticas como se fossem os próprios mandamentos escritos na pedra. A descoberta da lei que regula esse fato aconteceu por acaso, mas no local mais provável – o livro “O andar do bêbado”, do físico e professor norte-americano Leonard Mlodinow, editado pela Zahar.

Emprestado por uma amiga que sabe de minha inclinação pela estatísticae e pela probabilidade, nascida nos bancos da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, em fins dos anos 70, o livro tenta demonstrar como o acaso faz parte integrante da vida e que a busca de padrões lógicos, embora bem legal para a sobrevivência da espécie como um todo, pode nos levar muitas vezes a cometer erros absurdos, individualmente.
Assim, logo na pagina 33, Mlodinow fala de um experimento levado a cabo por dois cientistas, Daniel Kahneman – Nobel de Economia de 2002, apesar de ser psicólogo de formação – e Amos Tversky, no qual eles descobriram que se alguém fizer uma afirmativa e acrescentar uma outra, mesmo muito menos provável ou lógica que a primeira, as pessoas, em vez de acreditarem menos na afirmativa 1, passam a acreditar mais, bastando apenas que se conte bem a história.
Não entendeu? Então leia o trecho do livro que me fez gritar “eureca!” (quer dizer, quase…) e entender o mecanismo de empulhação levada a cabo pela Veja e seus seguidores.

Bacana, né? Pois tem muito mais coisa bacana como essa n’ “O andar do bêbado”. Recomendo fortemente que você o leia, mesmo não sendo um tarado por estatística como eu.

José de Abreu: “Civita avisou ao PT que derrubará Dilma”

No último domingo, o ator José de Abreu, esse simpaticíssimo sessentão paulista de Santa Rita do Passa Quatro, soltou uma nota no Twitter que, desde então, vem sendo objeto de curiosidade e de intensos debates na internet devido ao teor explosivo que encerra. Abaixo, a reprodução da nota do ator. Foi capturada em seu perfil naquela rede social.



Diante da enormidade que é haver dado concreto sobre uma premissa que todos os que se interessam por política já intuíam diante do comportamento da revista Veja nos últimos tempos, sobretudo após o caso escabroso em que um repórter desse veículo tentou invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu em um hotel de Brasília, decidi entrevistar o autor de tão interessante informação.


Conversei com Abreu por telefone durante cerca de 40 minutos. Foi mais um bate-papo informal. Girou, basicamente, em torno da informação que o ator obteve, mas enveredou por sua visão sobre como e por que um empresário do setor de comunicação ousa mandar ao governo do país um recado dessa magnitude, em termos de arrogância.


Segundo Abreu, a informação lhe foi passada por um petista graúdo que procurou a direção da Veja logo após a tentativa de invasão do apartamento de Dirceu. O emissário não teria procurado a revista em nome do governo, mas, sim, em nome do PT.  Ainda segundo o entrevistado, essas conversas de petistas e até do governo com a mídia ocorrem institucionalmente e com freqüência.


A tal “raposa felpuda” do PT teria ponderado com a direção da Veja que precisaria haver limites, que a revista estaria passando da conta. Enfim, teria sido a tentativa de um pacto de convivência mínimo. Aliás, informação relevante do entrevistado foi a de que esse pacto até já existe e é por isso que Dilma vem sendo poupada pela mídia, apesar dos ataques ao seu governo.


A resposta veio de cima, do próprio Roberto Civita, e foi a de que não haveria acordo: a Veja pretende derrubar o governo Dilma. As razões para isso não foram explicadas, apesar de que o interlocutor de Abreu diz que o dono da Veja está enfurecido com os sucessivos governos do PT que, nos últimos 9 anos, tiraram da grande mídia montanhas de dinheiro público.


Sempre segundo o entrevistado, apesar de muitos acharem que o governo “dá dinheiro” à mídia (via publicidade oficial) apesar de ser fustigado por ela, nos últimos 9 anos a publicidade do governo federal, a compra de livros didáticos da Abril, enfim, tudo que o governo gasta com comunicação passou a pingar nos cofres midiáticos em proporção infinitamente menor do que jorrava até 2002.


De fato, de 2003 para cá esse bilhão de reais que o governo gasta oficialmente em comunicação, que até aquele ano era dividido entre 500 veículos, hoje irriga cerca de oito mil veículos, muitos deles com linha editorial totalmente inversa à dos grandes meios de comunicação que até o advento da eleição de Lula, em 2002, mamavam tranquilamente. E sozinhos.


Abreu também diz que essa coexistência de bastidores entre adversários políticos (imprensa tucana, de um lado, e PT e governos petistas de outro) se deve a um fato inegável: os políticos precisam da mídia e isso fica claro quando a gente se surpreende ao ver petistas, os mais alvejados por esses veículos, concedendo cordiais entrevistas aos seus algozes.


Particularmente, este blog não se surpreendeu com as revelações de José de Abreu. As marchas contra a corrupção, o objetivo claro de impedir o funcionamento do governo lançando matérias incessantes só contra o governo federal enquanto escândalos enormes como o das emendas dos deputados estaduais paulistas recebem espaço quase zero, mostram que a mídia pretende inviabilizar o governo Dilma Rousseff.


Mais uma vez, digo a quem não acredita: se o cavalo do golpe passar selado, a mídia monta sem pensar. E, agora, tenho até evidências concretas para fundamentar meu ponto de vista. Será, então, que o PT e o governo Dilma vão ficar sentados esperando o golpe? Querem a minha opinião? Acho que vão. Eles ainda acreditam que podem se entender com a imprensa golpista.


Na Argentina, expulsaram os Civita do país

A máfia no poder


Quem lida com Blatter e Teixeira deve estar acima de qualquer suspeita. Mas há mafiosos também em outros cantos. Por Mino Carta. Foot: Jewel Samad/AFP
Quando adolescente, já perguntava aos meus imberbes botões por que o Brasil, país de imigração campana, calabresa e siciliana, entre outras, não conhecia o fenômeno mafioso. Desde logo, formulei uma tese sem qualquer pretensão científica, mas convincente na opinião dos botões. Não temos uma Cosa Nostra no Brasil porque eméritos mafiosos estiveram e estão no poder, líderes em atividades diversas -teoricamente legais, em condições de agir às claras e a salvo dos riscos corridos, e sofridos, por Al Capone ou Totò Riina.
Capone e Riina, e muitos outros do mesmo porte, acabaram na cadeia, aqui os equivalentes viveram e vivem à larga, ou estão soltos, quando não são nome de ruas e praças. Não faltam exemplos -recentes nas -áreas mais diversas, a começar pela política, a qual, a rigor, está em todas porque por trás de tudo. Algo espantoso se deu por ocasião do Panamericano do Rio. Previu-se um orçamento de 400 milhões, gastaram-se dez vezes mais para realizar obras hoje inúteis e entregues ao descaso. Serviços de todo gênero foram encomendados aos familiares e amigos dos organizadores da tertúlia monumental, a despeito dos nítidos conflitos de interesse. Que aconteceu com os responsáveis por tanto descalabro?
É do conhecimento do mundo mineral que quem mandou no Panamericano mandará nas Olimpíadas de 2016. Também é, quanto ao futebol, que a Fifa é um antro mafioso desde os tempos de João Havelange e que Joseph Blatter e Ricardo Teixeira são seus profetas. Desde a posse de Dilma- Rousseff na Presidência da República-, -CartaCapital permite-se chamar a atenção do governo para as péssimas consequências de um Mundial de Futebol desastrado, exposto ao risco do desmando, e várias vezes voltamos à carga no mesmo sentido.
Não nos precipitamos a endossar agora as suspeitas levantadas em relação ao ministro do Esporte, Orlando Silva, mesmo porque apressadamente veiculadas por Veja. CartaCapital jamais deixou de defender o princípio in dubio pro reo e enxerga na reportagem da semanal da Editora Abril insinuações e conjecturas em lugar de provas. Para variar. Certo é, contudo, que um ministro do Esporte chamado a lidar com Ricardo Teixeira e Joseph Blatter deve necessariamente situar-se acima de qualquer suspeita.
A presidenta, tão determinada no combate à corrupção, obviamente -sabe disso e saberá precaver-se, a bem do -País e do seu governo. CartaCapital insiste, de todo modo, em suas preocupações diante da clara presença no gramado e fora dele da máfia do futebol mundial.
Cabe encarar a questão também de outro ângulo, a partir da análise do singular destino da esquerda nativa. Refiro-me neste exato instante ao PCdoB, nascido da costela do Partidão em nome de uma fidelidade ideológica e moral que os discípulos de Luiz Carlos Prestes teriam traído. Outro aspecto da história brasileira que amiúde me levou a convocar os botões diz respeito à efetiva e duradoura existência de uma esquerda brasileira.
Desabrido, Lula já me disse, em entrevista publicada em CartaCapital há seis anos, “você sabe que eu nunca fui de esquerda”. Resta ver o que significa hoje ser de esquerda. Para mim claro está, ao menos, que é de esquerda quem se empenha, clara e honestamente pela igualdade, e sem medir esforços, para a redenção dos herdeiros da senzala. Parece-me que alguns passos neste rumo o ex-presidente deu.
Confirma-os, e com objetivos maiores, Dilma Rousseff ao definir o projeto de acabar com a miséria. Inevitável, entretanto, observar que um sem-número de políticos está a cuidar é da sua própria riqueza, e entre eles, pasmem, não faltam os ex-comunistas do B. Orlando Silva desde os começos de sua atuação ministerial é alvo de inúmeras denúncias de corrupção encaminhada pelas sendas do dinheiro das ONGs, a envolverem não somente o próprio, mas também seu partido. Era de se esperar? Desfecho inescapável de um enredo movido a ganância acima e além de crenças e princípios? O PCdoB já teve, entre outras razões de orgulho, a lisura e a coerência dos seus filiados. No poder, é mais um que se porta como os demais.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tacape: a entrevista que nunca existiu

Por Rodrigo Vianna
 
“O Homem que Nunca Existiu” é um clássico do cinema. Rodado nos anos 50, conta as peripécias de militares ingleses que – durante a Segunda Guerra - tentam despistar os serviços de inteligência nazistas, criando um falso soldado, com falsas informações, sobre um falso desembarque dos aliados na Europa. Filme delicioso, que assisti ao lado de meu pai no começo da década de 80. Naquela época – sem videocassete, DVDs ou downloads na internet – a gente ficava torcendo pra aparecer filme bom na TV aberta.
 
“A Entrevista que Nunca Existiu” é, também, um clássico. Não do Cinema, mas do Jornalismo de esgoto que se pratica na chamada “grande imprensa” brasileira, nesse início do século XXI. Uma falsa entrevista, com falsas declarações, para comprovar uma tese (mais fajuta do que nota de três) a respeito dos índios no Brasil “naquela” revista...
 
Que revista? Advinhem? Mês passado, “Veja” publicou, entre aspas, declarações do respeitado antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. A “entrevista” entrou no meio de uma reportagem patética, intitulada “A farra da antropologia oportunista”. O texto era mais uma tentativa de atacar demarcações de terras indígenas. Até aí, tudo bem, é a posição da revista. Não fosse um detalhe: Viveiros de Castro NÃO deu entrevista pra “Veja”.
 
Já vi muita gente reclamar por suas declarações terem sido “distorcidas” ou “tiradas do contexto”. Nesse caso, foi muito pior. Algum gênio na “Veja” teve a idéia de ler (?) um artigo do antropólogo e “resumir” numa frase o pensamento dele. Só que a revista deu a entender que se tratava de uma declaração de Viveiros de Castro. E o mais grave: a frase entre aspas não tinha nada a ver com o pensamento do antropólogo.

A “Veja” joga fora, assim, a sua história – como já fez em dezenas de outros episódios. Aquela publicação, dirigida por Mino Carta e que (apesar de todas as limitações e cautelas) enfrentou a ditadura e denunciou até tortura nos anos 70, talvez fosse ilusão. Talvez, nunca tenha existido. Como o soldado do filme. E como a entrevista do antropólogo. “A Entrevista que Nunca Existiu” gerou uma reação irada na internet. Viveiros de Castro explicou que – de fato – tinha sido procurado pela equipe de “Veja”, mas não quis dar entrevista:

“Recusei-me a falar com eles, é meu direito, por não confiar na revista, achá-la de péssima qualidade jornalística, e por abrigar um batalhão de colunistas da direita hidrófoba. Parece que foi em vão, já que isso não os impediu de falarem comigo”.

Essa declaração de Viveiros de Castro existiu! Foi dada ao blog “Escrevinhador”, mantido na internet por esse novo colunista de Caros Amigos. Dezenas de outros blogueiros e twitteiros também reagiram à arrogância de “Veja” – que agora se dá ao direito de entrevistar, na marra, até quem não foi (e não quer ser) entrevistado.
Entre os twitteiros que reagiram à “Veja”está o jornalista Felipe Milanez. Ele trabalhava na revista “National Geographic Brasil”, também editada pela Abril. Trabalhava, eu disse. Milanez (especializado em reportagens sobre nações indígenas) escreveu em seu twitter a seguinte nota: Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja, “repugnante”.

Pouco tempo depois, Milanez virou vaga – como a gente diz nas redações. Minha solidariedade a ele! Sei o que é isso, passei por algo parecido na TV Globo, em 2006... A Abril usou a guilhotina patronal contra a opinião de um funcionário. Os donos da imprensa esquecem que, ao pagar o salário dos jornalistas, estão pagando apenas pela força de trabalho. Não são donos de suas opiniões. Ou são?


Sobre isso, o Luiz Carlos Azenha (veterano de muitas redações e blogueiro do ótimo “VioMundo”) costumava dizer, quando éramos colegas na Globo: “eles esquecem que compram apenas meus serviços. Se quiserem comprar meu cérebro, vão ter que pagar muito mais”.


Cada vez que essa gente usa a guilhotina patronal, e corta a cabeça de um jornalista, faz com que dezenas de outros botem o tacape na cintura, e partam para o contra-ataque. Nessa coluna, posso prometer, manterei o meu afiado.

Rodrigo Vianna é jornalista